Considerado um dos principais nomes para a renovação dos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT), o governador do Piauí, Rafael Fonteles, defende de forma enfática a consolidação de uma frente ampla em torno da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista, Fonteles analisou o cenário de acirramento político nacional e compartilhou as estratégias que transformaram o Piauí em uma vitrine de gestão para a esquerda nas áreas de educação e segurança pública.
A Disputa Presidencial e o Papel do Centro
Ao avaliar as recentes pesquisas de intenção de voto, que apontam um crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) e consolidam um cenário de forte polarização — semelhante ao pleito de 2022 —, Fonteles minimizou o favoritismo automático e destacou que o resultado final dependerá de quem dialogar melhor com as alas moderadas. “A disputa vai ser novamente decidida por eleitores do centro e os mais independentes, que não se vinculam ao lulismo ou ao bolsonarismo”, pontuou o governador, lembrando que a inclusão de Geraldo Alckmin na chapa presidencial já havia sido uma demonstração clara de heterogeneidade política.
Para ele, a viabilidade de uma “terceira via” é nula, visto que os dois polos já concentram mais de 40% das intenções de voto cada. Contudo, Fonteles alerta para os perigos da radicalização: “Se a disputa for radicalizada, ela se torna ruim para o país, pois dificulta a formação de consensos no pós-eleição e a aprovação de reformas importantes”.

O Futuro do PT e a Sucessão de Lula
Indagado sobre a idade avançada do presidente Lula, que disputará um novo mandato perto dos 81 anos, Fonteles descartou o fator biológico como um entrave, elogiando o “vigor mental e físico” do mandatário. O piauiense argumentou que o foco absoluto do partido no momento é garantir a vitória nas urnas e que caberá ao próprio Lula, futuramente, coordenar a transição e apontar nomes viáveis para dar sequência ao projeto de redução das desigualdades.
Comunicação Digital: O Desafio da Esquerda
Com forte apelo nas redes sociais e uma trajetória pessoal meteórica — formado em matemática aos 19 anos, mestre pelo IMPA aos 21 e o governador mais jovem do país em 2022, aos 37 anos —, Fonteles reconhece que a esquerda ainda corre atrás do prejuízo no campo digital. Segundo ele, o campo progressista tem evoluído, mas os agentes políticos precisam dominar melhor as linguagens da internet, focando em “vídeos curtos, diretos e velocidade de resposta contra fake news” para atrair o público jovem.
O Modelo Piauí: Segurança com Rigor e Direitos Humanos
Líder nas pesquisas de intenção de voto para sua própria reeleição no Piauí com 58%, Fonteles rebateu críticas sobre o número de viagens internacionais que fez em seu mandato (dezesseis missões), justificando-as com a atração de investimentos privados que colocaram o estado na rota da mineração, do agronegócio e das energias renováveis.
O grande destaque da gestão, contudo, tem sido a segurança pública. O modelo piauiense, que recentemente exportou o ex-secretário Chico Lucas para o Ministério da Justiça, apoia-se em inteligência e integração entre as forças. Ao equilibrar a ideologia partidária com as demandas reais das periferias, Fonteles cunhou uma postura pragmática:
“No Piauí, bandido bom é bandido preso. Agimos com dureza (…). Ao mesmo tempo, temos a polícia menos violenta do Brasil.”
Com o apoio local de legendas de centro, como MDB e PSD, Fonteles sinaliza que a receita para o sucesso eleitoral da esquerda em tempos de polarização extrema exige pragmatismo econômico, firmeza no combate ao crime e capacidade de costurar alianças além das fronteiras ideológicas tradicionais.

